Se o risco de progressão norteia a conduta, por que usamos tão pouco a Classificação de Sanders?
A escoliose é uma destas alterações cujo principal recurso diagnóstico, a
medida do ângulo de Cobb no Rx, não basta para definir a abordagem
clínica. A magnitude da curvatura observada precisa ser interpretada junto
com a fase de desenvolvimento do indivíduo.
Entender o quanto de crescimento ósseo ainda permanece, se há risco de progressão ou se a curva está em uma fase de crescimento acelerado ou não, é fundamental
para estabelecer a conduta terapêutica.
Embora tradicionalmente o sinal de Risser seja utilizado para avaliar a
maturidade óssea, ele não permite obter todas essas respostas. A
Classificação de Sanders, que pontua de 1 à 8, fornece muito mais detalhes
sobre o estágio de maturidade óssea do paciente escoliótico e do
comportamento da curvatura. Por exemplo, é possível identificar a fase em
que a curva progride lentamente (Sanders 1 e 2) bem como o momento em
que a curva passa a progredir aceleradamente (Sanders 3 e 4) .
O desafio é que tanto a fase de progressão lenta - em que apenas os PSSE poderiam
ser suficientes de acordo com o Cobb - quanto a fase de progressão rápida,
em que o uso do colete poderia ser urgente, correspondem ao Risser 0.
Isso indica a baixa sensibilidade do Risser para discriminar o pico de
crescimento e, consequentemente, a dificuldade em determinar
acuradamente a conduta ao se basear exclusivamente nele.
Em seu artigo de 2020, Minkara e colaboradores observaram que um em
cada quatro pacientes avaliados por meio do Risser receberam tratamento
inadequado e o erro mais comum foi o subtratamento durante o pico de
crescimento.
O uso da Classificação de Sanders ainda é pouco comum e é raro
encontrarmos laudos radiológicos que a utilizem. Dada sua importância para
determinar a conduta clínica na escoliose, seria importante que o RX da mão
acompanhasse o Rx da coluna. Isto nos permitiria estudar e aplicar esta
classificação no nosso dia a dia.

Referências:
1. Sanders JO, Khoury JG, Kishan S, Browne RH, Mooney JF 3rd, Arnold
KD, McConnell SJ, Bauman JA, Finegold DN. Predicting scoliosis
progression from skeletal maturity: a simplified classification during
adolescence. J Bone Joint Surg Am. 2008 Mar;90(3):540-53. doi: 10.2106/
JBJS.G.00004. PMID: 18310704.
2. Minkara A, Bainton N, Tanaka M, Kung J, DeAllie C, Khaleel A, Matsumoto
H, Vitale M, Roye B. High Risk of Mismatch Between Sanders and Risser
Staging in Adolescent Idiopathic Scoliosis: Are We Guiding Treatment Using
the Wrong Classification? J Pediatr Orthop. 2020 Feb;40(2):60-64. doi:
10.1097/BPO.0000000000001135. PMID: 31923164.





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