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Se o risco de progressão norteia a conduta, por que usamos tão pouco a Classificação de Sanders?

8 de set.
2 min de leitura

A escoliose é uma destas alterações cujo principal recurso diagnóstico, a

medida do ângulo de Cobb no Rx, não basta para definir a abordagem

clínica. A magnitude da curvatura observada precisa ser interpretada junto

com a fase de desenvolvimento do indivíduo.


Entender o quanto de crescimento ósseo ainda permanece, se há risco de progressão ou se a curva está em uma fase de crescimento acelerado ou não, é fundamental

para estabelecer a conduta terapêutica.


Embora tradicionalmente o sinal de Risser seja utilizado para avaliar a

maturidade óssea, ele não permite obter todas essas respostas. A

Classificação de Sanders, que pontua de 1 à 8, fornece muito mais detalhes

sobre o estágio de maturidade óssea do paciente escoliótico e do

comportamento da curvatura. Por exemplo, é possível identificar a fase em

que a curva progride lentamente (Sanders 1 e 2) bem como o momento em

que a curva passa a progredir aceleradamente (Sanders 3 e 4) .


O desafio é que tanto a fase de progressão lenta - em que apenas os PSSE poderiam

ser suficientes de acordo com o Cobb - quanto a fase de progressão rápida,

em que o uso do colete poderia ser urgente, correspondem ao Risser 0.


Isso indica a baixa sensibilidade do Risser para discriminar o pico de

crescimento e, consequentemente, a dificuldade em determinar

acuradamente a conduta ao se basear exclusivamente nele.


Em seu artigo de 2020, Minkara e colaboradores observaram que um em

cada quatro pacientes avaliados por meio do Risser receberam tratamento

inadequado e o erro mais comum foi o subtratamento durante o pico de

crescimento.


O uso da Classificação de Sanders ainda é pouco comum e é raro

encontrarmos laudos radiológicos que a utilizem. Dada sua importância para

determinar a conduta clínica na escoliose, seria importante que o RX da mão

acompanhasse o Rx da coluna. Isto nos permitiria estudar e aplicar esta

classificação no nosso dia a dia.


Thais W A Bojadsen, Ft, PhD
Thais W A Bojadsen, Ft, PhD
















Referências:

1. Sanders JO, Khoury JG, Kishan S, Browne RH, Mooney JF 3rd, Arnold

KD, McConnell SJ, Bauman JA, Finegold DN. Predicting scoliosis

progression from skeletal maturity: a simplified classification during

adolescence. J Bone Joint Surg Am. 2008 Mar;90(3):540-53. doi: 10.2106/

JBJS.G.00004. PMID: 18310704.

2. Minkara A, Bainton N, Tanaka M, Kung J, DeAllie C, Khaleel A, Matsumoto

H, Vitale M, Roye B. High Risk of Mismatch Between Sanders and Risser

Staging in Adolescent Idiopathic Scoliosis: Are We Guiding Treatment Using

the Wrong Classification? J Pediatr Orthop. 2020 Feb;40(2):60-64. doi:

10.1097/BPO.0000000000001135. PMID: 31923164.

 
 
 

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